Pensamentos,  Psicologia

Preciso de terapia. E agora?

Se você é capaz de fazer esta afirmação, já é um excelente sinal. A maioria das pessoas que precisa de terapia não reconhece a necessidade. Na maioria das vezes não procura tratamento e, quando o faz, é por outro motivo alheio a sua própria vontade.

Inicialmente é interessante entender do que se trata a terapia. Considere, acima de tudo, que a terapia é um momento seu (somente seu). Onde você poderá ser você mesmo, sem filtros, sem “amarras”. É um momento em que não será (sob hipótese alguma) julgado pelo que você é ou pelos seus comportamentos. Estará em contato com alguém que não está interessado em fazer juízo de valor. Ao contrário, estará em contato com uma pessoa que quer, única e simplesmente, o seu bem-estar, respeitando integralmente a sua história de vida. Além de ser um local seguro, pois o que é falado no ambiente terapêutico jamais será divulgado.

Contrariando o que muita gente acredita, psicólogo não é para “doido”. É para pessoas que querem tratamento de alguma situação incômoda ou que querem o caminho do autoconhecimento. Então deixe de lado o preconceito e comece a procura por um profissional que possa te auxiliar naquilo que você precisa.

Incialmente a recomendação é procurar um psicólogo. Pode ser o caso de ser necessário uma avaliação de outro profissional (psiquiatra, por exemplo). Mas tudo depende da história da pessoa. Então inicialmente recomendo que procure um psicólogo.

A psicologia abre um leque muito grande de abordagens. Evidentemente não pretendo aqui traçar observações a respeito de cada uma delas, mas apenas algumas. E é óbvio que serão observações extremamente incompletas, se observar cada abordagem como um todo. Longe da pretensão de querer abranger (em poucas linhas) todo o potencial de qualquer abordagem. Mas me comprometo a deixar aqui algumas informações a respeito de algumas.

Eu considero interessante quatro abordagens, que são: Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), Humanista Existencial, Sistêmica e Psicanálise.

Em todas as abordagens é possível tratar praticamente todos os problemas e comorbidades. Porém algumas são mais eficazes do que outras e, aliado a isto, existe a afinidade da pessoa que se submete a terapia.

Nos casos de surtos pontuais (que acontecem apenas mediante um evento específico). Exemplo: A pessoa perde um emprego e isto gera um surto de ansiedade. Passa a sentir-se mal por causa da ansiedade que gerou. Todas as abordagens irão tratar este problema e em todas há uma enorme chance de sucesso no tratamento. Mas a TCC se destaca por resolver este tipo de problema de forma rápida e precisa. A TCC trabalha com técnicas que o paciente aprende e pode praticar depois, quando perceber que a situação está prestes a se repetir. Então esta abordagem se prima por fazer, em determinadas circunstâncias, do paciente o próprio terapeuta.

A abordagem Humanista Existencial o foco é a pessoa. É conhecida também como Abordagem Centrada na Pessoa. O foco é o próprio indivíduo e o presente. Casos de luto tem um tratamento muito eficaz através da Humanista Existencial. O passado faz parte de nossa história, mas não é relevante para nosso presente e futuro, assim enxerga esta abordagem. Mas muito mais do que casos de luto, esta abordagem enxerga no próprio indivíduo a sua principal importância para viver e lutar por algo melhor. Foca também em sua melhoria íntima, como ser humano.

Já a Psicanálise tem um enfoque um pouco mais completo, pois enxerga o sujeito como um todo, além de considerar sua parte inconsciente. Com isto consegue compreender pontos e situações que outras abordagens têm dificuldades. A psicanálise (e aparentemente apenas a psicanálise) consegue compreender o surto psicótico e a própria psicose (juntamente com todas suas nuances).

A Sistêmica trata cada ser como parte integrante de um sistema. Outras partes são meus antecedentes (pais, avós, etc) e outras partes são meus descendentes (filhos, netos, etc). As questões familiares são o principal enfoque da Sistêmica.

Todas as abordagens sofrem críticas pelos seus antagonistas. A principal crítica que se faz com a TCC é por causa do seu “engessamento” no diagnóstico e tratamento. A Humanista é criticada por ser muito positiva e, com isto, acabar por não ver o lado negativo. A Psicanálise é criticada porque seus profissionais, em muitas situações, ficam com “cara de paisagem” apenas observando enquanto o paciente faz longos e extensos relatos. Algumas vezes sem nenhuma interação por parte do terapeuta. A Sistêmica costuma ser criticada por haver alguns profissionais vinculando a ela algumas práticas não reconhecidas cientificamente, o que causa muita polêmica. Não que estas práticas não sejam positivas (e terapêuticas), mas são alvo de críticas e questionamentos.

Necessário esclarecer que a psicanálise pode ser exercida por qualquer pessoa, não havendo nenhum órgão que a regulamente. Portanto é possível encontrar cursos de psicanálise com um ou dois anos de duração. Mas o processo de formação de um psicanalista é muito mais do que isto. Para se “formar” psicanalista, inicialmente a pessoa precisa passar por análise (e isto são anos a fio). Quando ela tem alta desta análise (que significa ter resolvido a maioria de seus dilemas íntimos) passa a frequentar grupos de estudo de psicanálise, são vários anos até estar minimamente pronto para começar a atender. E este começo é sempre com mediado com pessoas mais experientes.

Eu tenho um interesse pessoal pela psicanálise, mas gosto de aliar a psicologia. Na psicologia existe todo um aprendizado no acolhimento e empatia. Na psicanálise também existe isto, mas com a psicologia é possível treinar estas questões de forma isolada. É um ganho a mais.

Obviamente a TCC vai muito (mas muito mesmo) além do que tracei aqui, assim como a Humanista Existencial, a Psicanálise e a Sistêmica.

Inicialmente fica confuso tomar uma decisão de qual profissional escolher, mas saiba que todas as abordagens tratam com eficácia da maioria dos problemas.

Não mencionei nem 10% das abordagens existentes dentro da psicologia. É comum não se sentir confortável com esta ou aquela abordagem, cada um tem uma afinidade. As vezes o que nos é confortável, pode não ser para o outro. Então, em meio a tudo isto, escolha uma delas e faça o seu “test drive”. Se não gostar, ninguém irá obrigá-lo a continuar. Escolha seu terapeuta, aperte os cintos e curta a viagem para dentro de si mesmo.